Esboço: O que aprendemos com a luta de Jacó?

A luta de Jacó com o Anjo é mais do que apenas uma narrativa sobre uma batalha física; ela é uma janela para a jornada espiritual e transformadora de um homem. Vamos nos aprofundar na história e explorar suas camadas de significado. Será que Jacó realmente venceu o anjo, ou será que a verdadeira vitória estava em outra bênção, não necessariamente ganha no campo de batalha? O que essa história nos revela sobre a natureza da fé, da redenção e do propósito de Deus?

Tema: O que aprendemos com a luta de Jacó?

Texto base: Gênesis 32.22-32

22 Durante a noite, Jacó se levantou, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos e atravessou com eles o rio Jaboque.
23 Depois de levá-los para a outra margem, fez passar todos os seus bens.
24 Com isso, Jacó ficou sozinho no acampamento. Veio então um homem, que lutou com ele até o amanhecer.
25 Quando o homem viu que não poderia vencer, tocou a articulação do quadril de Jacó e a deslocou.
26 O homem disse: “Deixe-me ir, pois está amanhecendo!”. Jacó, porém, respondeu: “Não o deixarei ir enquanto não me abençoar”.
27 “Qual é seu nome?”, perguntou o homem. “Jacó”, respondeu ele.
28 O homem disse: “Seu nome não será mais Jacó. De agora em diante, você se chamará Israel, pois lutou com Deus e com os homens e venceu”.
29 “Por favor, diga-me qual é seu nome”, disse Jacó. “Por que quer saber meu nome?”, replicou o homem. E abençoou Jacó ali.
30 Jacó chamou aquele lugar de Peniel, pois disse: “Vi Deus face a face e, no entanto, minha vida foi poupada”.
31 O sol estava nascendo quando Jacó partiu de Peniel, mancando por causa do quadril deslocado.
32 (Até hoje, o povo de Israel não come o tendão perto da articulação do quadril, por causa do que aconteceu naquela noite em que o homem feriu o tendão do quadril de Jacó.)

Introdução

Na Bíblia há momentos de grande significado e complexidade que transcenderam gerações, desafiando nossa compreensão e inspirando reflexões profundas. A luta de Jacó com o Anjo, registrada no Livro de Gênesis, capítulo 32, é um desses episódios.

Muitos de nós, já ouvimos essa história ser abordada como uma lição de perseverança, uma narrativa motivacional ou mesmo um símbolo poderoso de luta. No entanto, será que entendemos completamente o que as Escrituras dizem sobre esse encontro notável?

A luta de Jacó com o Anjo é mais do que apenas uma narrativa sobre uma batalha física; ela é uma janela para a jornada espiritual e transformadora de um homem. Vamos nos aprofundar na história e explorar suas camadas de significado. Será que Jacó realmente venceu o anjo, ou será que a verdadeira vitória estava em outra bênção, não necessariamente ganha no campo de batalha? O que essa história nos revela sobre a natureza da fé, da redenção e do propósito de Deus?

Neste artigo, convido você a se juntar a mim em uma exploração da luta de Jacó com o Anjo, não apenas como uma narrativa antiga, mas como uma lição atemporal. Vamos ler com calma e descobrir o que podemos aprender com Jacó, um homem que teve um encontro extraordinário com e saiu transformado.

Quem foi Jacó?

Antes de mais nada precisamos entender quem foi Jacó e algumas de suas características.

Nós costumamos pensar que Jacó era uma boa pessoa devido a alguns textos que dizem “O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó“. Será que ele é um exemplo que podemos trazer para nossa vida?

Nascimento de Jacó

Desde o início de sua história, a vida de Jacó foi marcada por ações que a Bíblia traz à tona: antes mesmo de nascer, os dois bebês que habitavam o ventre de Rebeca pareciam engajar-se em uma luta constante (Gênesis 25:22). Foi nesse momento singular que o próprio Senhor revelou a profecia de que esses dois irmãos dariam origem a nações distintas, com o primogênito servindo ao mais jovem.

A estranheza e a complexidade dessa relação fraternal não param por aí. O próprio nascimento de Jacó foi marcado por um evento notável e até mesmo curioso. Enquanto Rebeca dava à luz, Jacó, o mais novo dos dois, surpreendentemente agarrou o calcanhar de Esaú, seu irmão mais velho, como que buscando se posicionar à frente na corrida da vida. Essa cena peculiar deixou sua marca e influenciou a escolha do nome do filho, pois ‘Jacó’ é derivado da palavra hebraica que significa ‘aquele que pega pelo calcanhar.’

O que podemos inferir a partir desse intrigante episódio? Embora possa parecer um detalhe trivial, essas ações e significados estão profundamente entrelaçados na trajetória de Jacó e lançam as bases para a complexa dinâmica entre ele e seu irmão. A luta, a competição e a busca pela primogenitura são temas que ressoarão ao longo de suas vidas, levando a momentos cruciais de escolhas e transformação. Vamos explorar mais a fundo como esses eventos iniciais moldaram a jornada de Jacó e aprofundaram seu significado espiritual.

Gênesis 25:21-24
²¹ Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O SENHOR respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou.
²² Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse: “Por que está me acontecendo isso? ” Foi então consultar o Senhor.
²³ Disse-lhe o Senhor: “Duas nações estão em seu ventre, já desde as suas entranhas dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro, mas o mais velho servirá ao mais novo”.
²⁴ Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.

Nascimento de Jacó (Retirar)

O nascimento de Jacó é um episódio significativo que encontramos em Gênesis 25:21-28. Sua mãe, Rebeca, enfrentava a mesma condição de esterilidade que sua avó, Sara, e esperou durante longos vinte anos por filhos. Seu esposo, Isaque, tomou o papel de intercessor e orou fervorosamente ao Senhor em favor dela. Em resposta a essas súplicas, Deus misericordiosamente ouviu e respondeu, abrindo a matriz de Rebeca, o que resultou no nascimento dos gêmeos Esaú e Jacó.

No que diz respeito à cronologia, embora seja desafiador estabelecer datas precisas na antiguidade, os estudiosos bíblicos estimam que Abraão tenha vivido entre 2000 e 1900 a.C. Portanto, se essas estimativas estiverem corretas, Jacó teria vivido aproximadamente durante o período de 1800 a.C. no contexto histórico da narrativa bíblica.

Crescimento e casamento de Jacó  

Deus havia prometido a Abraão que através de seu filho, Isaque, faria dele uma grande nação. Apesar das dificuldades que Isaque e Rebeca enfrentaram em relação à gravidez, a promessa de Deus não seria frustrada. No tempo certo o casal teve filhos!

No Oriente Antigo Próximo, o filho primogênito tinha alguns privilégios, conforme mencionado abaixo:

  1. Herança e Privilégios do Primogênito: No Oriente Antigo Próximo, de fato, o filho primogênito tinha direito a uma parte maior da herança de seu pai em comparação com os irmãos mais jovens. Além disso, ele frequentemente recebia privilégios, como a posição de chefe social e religioso da família.
  2. Venda do Direito de Primogenitura: A história de Jacó e Esaú registrada em Gênesis 25:29-34 narra o episódio em que Jacó aproveita a fome de Esaú e compra dele o direito de primogenitura. É importante observar que, embora Jacó tenha adquirido esse direito por meio de um acordo, a atitude de Esaú em vender sua primogenitura por um prato de lentilhas é frequentemente vista como irresponsável e de pouca consideração pelo valor espiritual e material da primogenitura.
  3. Juramento Irrevogável: Na história bíblica, após a venda, Esaú fez um juramento considerado irrevogável, onde ele confirmou a transferência do direito de primogenitura para Jacó.

Não se sabe se no caso de Esaú e Jacó houve algum tipo de burocracia para que tal negociação fosse registrada oficialmente. Porém a Bíblia cita que foi feito um juramento. Em muitos casos, juramentos como esse eram válidos perante um tribunal da lei.

Isaque, já idoso, comunicou que transmitiria sua bênção patriarcal. Então ele pediu que Esaú preparasse para ele o seu prato favorito (Gênesis 27:1-46). Sabendo disso, Rebeca instruiu a Jacó sobre como ele deveria proceder para tomar aquela bênção para si mesmo.

Se aproveitando da cegueira do pai, Jacó se passou por seu irmão Esaú e foi abençoado por Isaque. Quando Isaque e Esaú descobriram o que havia ocorrido, nada mais poderia ser feito. A bênção sobre a vida de Jacó era irrevogável (Gênesis 27:37,38).

Esaú ficou enfurecido quando descobriu que tinha sido superado por Jacó. Então para fugir da ira de seu irmão, Jacó partiu para casa de seus parentes em Harã. Em sua viajem Jacó teve uma visão noturna. Nessa visão Deus lhe confirmou a promessa feita a Abraão e lhe deu garantia de que o protegeria (Gênesis 28).

Chegando a Harã, Jacó conheceu a sua prima Raquel, filha de seu tio Labão. Jacó desejou casar-se com Raquel e fez um acordo com Labão para que, ao fim de um período de sete anos de trabalho, pudesse tomar Raquel por esposa.

O casamento ocorreu, mas Labão enganou Jacó. Recorrendo a um possível costume da região, Labão concedeu a Jacó sua filha mais velha, Lia (ou Léia), como esposa. Jacó então fez outro acordo com Labão para que, finalmente, pudesse se casar com Raquel. Nesse novo acordo mais sete anos de trabalho foi exigido de Jacó.

Após longos anos trabalhando para seu sogro e fazendo seu rebanho prosperar, Jacó resolveu partir e retornar a Palestina. Labão não queria que Jacó partisse e lhe propôs um acordo para sua permanência. Na tentativa de obter vantagem sobre Jacó, Labão mudou o acordo várias vezes (10), até que Jacó conseguiu fugir.

Quando soube da fuga de Jacó, Labão ainda o perseguiu. Mas após uma longa conversa ao se encontrarem, ambos fizeram uma aliança e Jacó finalmente viajou em direção ao sul. No caminho, Jacó encontrou um grupo de anjos, o que lhe assegurava que Deus o estava protegendo (Gênesis 32:1,2).

Quando estava indo em direção ao encontro de seu irmão Esaú, passando pelo riacho de Jaboque, Jacó encontrou-se com “um varão”, e lutou com ele durante toda noite.

Ao romper do dia, o homem deslocou a coxa de Jacó, mas ainda assim Jacó conseguiu ser abençoado. Tal benção mudou seu nome de Jacó para Israel, que significa “o que luta com Deus”. Obviamente aquele foi um encontro Divino (Gênesis 32:24-30). Mais tarde novamente Deus apareceu para Jacó e reafirmou a mudança de seu nome (Gênesis 35:9-15).

Logo depois do ocorrido no riacho de Jaboque, Jacó conseguiu encontrar-se com Esaú. Apesar do clima tenso que antecedeu aquele momento, o encontro dos dois irmão foi grande ternura.

Com que Jacó lutou?

Agora que temos o contexto, vamos ao ponto central, inclusique que dá nome ao artigo: A luta de Jacó. A Bíblia inicia dizendo que um homem veio lutar com Jacó, mas ao final, Jacó entende que ele não está lutando com um simples homem. Pois agarra o homem e reconhece que o homem pode abençoá-lo.

A luta tem alguns aspectos interessantes. O primeiro deles é que a luta durou a noite inteira, o que confirma que Jacó era “teimosão”.. não desistia fácil.

Outro ponto importante é que a luta terminou no raiar do sol, no começo de um novo dia

Oséias 12.3-4 –  fala que era Deus que Jacó lutou:
3 No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, e na sua força lutou com Deus.
4 Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco,

Jacó ganhou de Jesus?

A ideia de Jacó ‘vencendo’ Jesus pode inicialmente parecer desconcertante. Afinal, como pode alguém prevalecer sobre o Todo-Poderoso? Mas essa história de luta entre Jacó e um ser divino levanta questões profundas e revela verdades espirituais essenciais.

Por que, afinal, Jesus entraria em conflito com Jacó? E que bênção tão valiosa estava em jogo? A resposta pode ser encontrada na teimosia de Jacó, uma teimosia que Deus parecia incapaz de controlar. Se Deus pretendia usá-lo, precisava primeiro quebrar seu ego, transformando-o em alguém moldado para cumprir um propósito maior.

Fisicamente, Jacó pode ter ‘perdido’ a luta, mas a verdadeira vitória que ele conquistou foi de um tipo diferente: a transformação que ocorreu após seu encontro divino. Muitas vezes, assim como Jacó, somos teimosos e obstinados em nossas próprias maneiras. Há momentos em que todos nós merecemos que Jesus ‘desloque nossas juntas’, não é verdade?

No entanto, é vital reconhecer que o propósito de Jesus, como vemos nas Escrituras, não se limita a bênçãos materiais ou à satisfação de nossos desejos individuais. O verdadeiro cerne da mensagem bíblica reside no plano de Deus, Sua graça maravilhosa que nos permite ser alcançados por Sua vontade divina. Essa é a vitória que Jacó experimentou, a transformação de sua história, e é uma lição preciosa para todos nós

Simão Pedro também teve de ser transformado

Paulo era Saulo e também teve algo parecido e ter seu espinho na carne – 2Co 12.7-10

Jacó teve seus altos e baixos, assim como você e eu. Trapaceou e foi trapaceado, assim como você e eu. Teve erros e acertos, assim como você e eu. A real bênção era a transformação para ser usado na obra de Deus. Deus continuaria e cumpria tudo  o que havia prometido, mas Jacó precisaria estar pronto, ser quebrantado e quebrado, literalmente.

Ele precisava entender que o sucesso não estava em suas mãos ou na sua estratégia. Aquele que trabalhou 20 anos para Labão em pró de sua vontade de sua esposa, depois trabalhou para seu enriquecimento. Aquele que enganou seu irmão e seu pai, o protegido da mamãe agora estava ferido e não conseguiria correr nem de uma criança.

Teve seu nome mudado, teve seu foco mudado, e a partir deste momento teria seu nome incluído na frase tão falada: “O Deus de Abraão, Isaque e Jacó”.

Que bênção Jacó ganhou?

Nós costumeiramente queremos pegar algumas passagens e transformá-la em algo motivacional. Pegar uma passagem como esta e dizer que você deve se agarrar naquilo que quer e que não deve cessar sua oração até que sua bênção venha, até que a vitória seja alcança é muito lindo, mas é isto o que a Bíblia realmente nos ensina?

Não podemos esquecer que o verdadeiro evangelho não é sobre prosperidade ou sobre ganhar bênçãos. O verdadeiro evangelho consiste em se arrepender dos pecados, caso não, você está condenado.

Pegar históricas como esta e usá-las como motivação, sem você ter conhecido a Cristo e o ter aceitado como suficiente salvador é perigoso, pode inflar o seu ego e colocar uma falsa sensação de prosperidade e de aceitação da igreja e da comunidade, que não são bíblicos.

A Bíblia é cheia de promessas sim! promessas para quem aceitou a Jesus e sabe que o foco é a graça salvadora, aí sim.. as bem aventuranças fazem sentido…. mas voltando ao texto. Qual foi a bênção que Jacó ganhou?

Não podemos pegar versos como este e querer transformá-lo em teologia motivacional, da prosperidade, para você correr atrás do seu sonho.. como se nossa vontade fosse o centro de tudo.


Deus deixou uma maca em Jacó. Ele provavelmente nunca mais correu como antes, nunca mais foi tão atlético como antes, mas ele nunca se esqueceria da luta que teve e da mudança de sua vida.

Antes de nosso encontro com Deus, vemos o céu como um lugar terrível, um lugar onde temos nossa liberdade afetada:  pra entrar no céu terei que abandonar isto, deixar de praticar aquilo outro…

Depois de nosso encontro, percebemos que o terrível é viver sem ter tido um encontro com Deus.

Jacó no Novo Testamento

Jacó é citado nas genealogias presentes nos Evangelhos de Mateus e Lucas (Mateus 1:2; Lucas 3:34). Frequentemente ele é mencionado na conjunção “Abrão, Isaque e Jacó”, como parte do trio de patriarcas notáveis do povo de Israel (cf. Mateus 8:11; Lucas 13:28).

O próprio Jesus fez uma citação de Êxodo 3:6, onde é declarado: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Mateus 22:32; Marcos 12:26; Lucas 20:37). Essa mesma expressão também aparece em Atos dos Apóstolos (Atos 7:32). Estêvão também mencionou Jacó em seu sermão (Atos 7:12-46). O apóstolo Paulo se refere a Jacó por duas vezes (Romanos 9:11-13; 11:26). Por fim, na Epístola aos Hebreus Jacó aparece na Galeria dos Heróis da Fé (Hebreus 11:9,20).

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